O outro lado de Charles Chaplin

Inicialmente pergunto-lhe: você sabe o que é cinema mudo?

Muita gente pensa e acredita que cinema mudo é uma obra que não tem fala, som, efeitos, nada. Simplesmente imagens. ERRADO.

Um filme mudo não possui de fato uma trilha sonora de acompanhamento, ou seja, a trilha não complementa as imagens exibidas na tela, mas sim, FALA  por estas imagens juntamente com músicas ou efeitos sonoros executados no momento da exibição do filme. Esse é o conceito primário de cinema mudo.

A idéia de combinar filmes com sons gravados é praticamente tão antiga quanto o cinema, mas por conta da inexistência tecnológica isso não era viável até o final dos anos 20.

Hoje, o nome da vez é Charles Chaplin. E é ai que entra o fato mais legal: vou mostrar o lado desconhecido dele, aquele que a maior parte das pessoas não sabe que existiu – o lado compositor do grande cineasta.

Charles Chaplin era muito preocupado com a pertinência e a qualidade das músicas que acompanhavam as aventuras de Carlitos, por isso mesmo que o próprio Chaplin compunha as trilhas sonoras de seus filmes mudos.

As partituras criadas por ele eram enviadas junto com as películas para os pianistas executarem durante as exibições, porque Charles achava que se desse liberdade para eles criarem suas próprias composições, muitas vezes poderia comprometer o significado das cenas criadas por ele.

Charles Chaplin foi um dos pioneiros das trilhas sonoras. A verdade é que no início ele não tinha fundamentação musical, e precisava cantarolar suas melodias para que os compositores profissionais conseguissem “transcrever seus emoções” nas partituras. Mas depois de desenvolver tanto seus conhecimentos musicais e contar com a ajuda dos avanços tecnológicos, o cineasta começou a dedicar-se mais na elaboração dos aspectos sonoros de suas obras.

E conseguiu surpreender. Chaplin compôs as músicas de seus 7 últimos filmes a partir de Luzes da Cidade (1931) e Tempos Modernos (1935), seguindo assim com O Grande Ditador (1940) – este foi o primeiro filme falado de Charles Chaplin -, Monsieur Verdoux (1947), A Condessa de Hong Kong (1967), Luzes da Ribalta (1952) e Um Rei em Nova York (1957).

Um fato curioso é que no filme “Luzes da Ribalta”, o tema foi tão forte que, 21 anos depois, quando se livrou da censura americana enquanto foi banido durante o período da Guerra Fria, Chaplin ganhou o Oscar por Melhor Trilha Sonora pelo filme.

Nas décadas seguintes, o cineasta e compositor chegou a produzir a trilha de seus primeiros filme como O Garoto, Em Busca do Ouro (1925) e O Circo (1928), lançados antes do surgimento das trilhas sonoras.

Percebeu que o cara é mesmo digno do adjetivo MESTRE. Sir Charles Chaplin não nos deixou apenas boas imagens, mas também boas trilhas. Um verdadeiro cineasta!

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